O necrotério do centro da cidade nos fins de semana.
A suspeita é a reação ao cheiro podre das feridas desse mundo.
Eu passeava de carro, no banco de trás, como sempre, com as três janelas de trás só minhas como sempre, mas a paisagem não era agradável. Era aterrorizadora (não, não era bem isso...), era de um suspense parecido com a tensão típica de um filme, mas fora das telas esse medo é mais carnal ainda porque algo realmente me podia atingir. O centro da cidade, domingo, é morto. Todas as lojas fechadas, se apertando entre prédios históricos. O corpo da cidade nu deixa tudo mais claro, mais nítido, o centro fica realmente cru.
Mas na nudez do corpo, seres se apossam do que dele resta. Vê-se pouca gente,
caminhando
ou sentando
assaltando
ou sendo assaltando
vendendo o corpo cheio de DSTs
ou comprando uma dessas porcarias.
O sol do fim-do-meio-de-tarde, uma coisa assim nem três nem cinco horas da tarde post meridiem, derramava-se espalhafatosamente nos poucos largos espaços entre as ruas tão apertadas do centro de Fortaleza. E quanto mais aberto, mais medo dava: um homem andava sem rumo e outro, meio bêbado, meio drogado, acaba de descobrir o seu com esta oportunidade.
Sem ver, de fato, o ato consumado, sinto o cheiro podre que vem antes de tudo explodir. Acabam, desabam, as chaaaaaaances de tudo mudar. Na segunda que se segue, o centro veste-se de gente, como uma flor vestida de abelhas, para no próximo fim de semana a mesma imundície se expor.
Eu passeava de carro, no banco de trás, como sempre, com as três janelas de trás só minhas como sempre, mas a paisagem não era agradável. Era aterrorizadora (não, não era bem isso...), era de um suspense parecido com a tensão típica de um filme, mas fora das telas esse medo é mais carnal ainda porque algo realmente me podia atingir. O centro da cidade, domingo, é morto. Todas as lojas fechadas, se apertando entre prédios históricos. O corpo da cidade nu deixa tudo mais claro, mais nítido, o centro fica realmente cru.
Mas na nudez do corpo, seres se apossam do que dele resta. Vê-se pouca gente,
caminhando
ou sentando
assaltando
ou sendo assaltando
vendendo o corpo cheio de DSTs
ou comprando uma dessas porcarias.
O sol do fim-do-meio-de-tarde, uma coisa assim nem três nem cinco horas da tarde post meridiem, derramava-se espalhafatosamente nos poucos largos espaços entre as ruas tão apertadas do centro de Fortaleza. E quanto mais aberto, mais medo dava: um homem andava sem rumo e outro, meio bêbado, meio drogado, acaba de descobrir o seu com esta oportunidade.
Sem ver, de fato, o ato consumado, sinto o cheiro podre que vem antes de tudo explodir. Acabam, desabam, as chaaaaaaances de tudo mudar. Na segunda que se segue, o centro veste-se de gente, como uma flor vestida de abelhas, para no próximo fim de semana a mesma imundície se expor.
Não sabia que além de uma excelente professora, eu também tinha uma amiga tão boa escritora.
Gostei do texto, revela bem a realidade do centro da nossa Fortaleza "bela", que durante a semana é tão cheio de vida e somente durante o domingo podemos ver a verdadeira realidade. =)
Bjo menina !
Posted by
Jean Louis Serenc |
26 maio, 2009 23:03
Olá Vanessa! Tdo bem?
Adorei o texto, onde vc retratou direitinho um momento, um dia, uma realidade nua e crua de uma cidade, num estágio de abandono, sem vida, sem beleza, sem luz!
Bjocas.
Waleria.
Posted by
wallper.lima |
31 maio, 2009 01:25