Na selva
Passou por mim um sorriso. O peso de um sorriso. Nem consigo equilibrar peso e sorriso numa balança: aparentemente sorrir é tão leve... Gostaria de aguentar tanto quanto todo o resto da selva. Minhas perninhas, ah, minhas perninhas nem correm que preste ainda. Ser jovem é muito bom, dizem, mas jovem é indefeso. No sorrisos, vejo apenas os dentes, a intenção ardendo sem palavras. Cada vez mais perto do perigo, cada vez mais agilidade – entre sustos e arranhões – me é exigida: consumida, arrancada, não há escolha, se não viver ou morrer. Ficar, come, correr, pega, sabe como é.
Atrás de uma pedra, enquanto não bate a fome, é possível descansar, ser jovem tão maravilhosamente quando descrevem. Na verdade, acho que aos 40 anos o que acontece é apenas uma troca que tem um preço: troca-se o encanto juvenil pela defesa engrossada, só que não somos poupados do preço de estar mais próximos ainda da morte, duma morte que independe de agilidade ou sabedoria.
Então vamos vivendo: só amor não é suficiente. Um dia, as mães deixam as crias.
Atrás de uma pedra, enquanto não bate a fome, é possível descansar, ser jovem tão maravilhosamente quando descrevem. Na verdade, acho que aos 40 anos o que acontece é apenas uma troca que tem um preço: troca-se o encanto juvenil pela defesa engrossada, só que não somos poupados do preço de estar mais próximos ainda da morte, duma morte que independe de agilidade ou sabedoria.
Então vamos vivendo: só amor não é suficiente. Um dia, as mães deixam as crias.
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